Nem dinheiro, nem estabilidade: escolha de carreira da Geração Z é guiada por propósito

Considerados desafiadores por empregadores e recrutadores, jovens dessa geração são frequentemente vistos como pouco esforçados ou resilientes

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), a Geração Z, composta por pessoas nascidas entre 1995 e 2010, representa um terço da população mundial. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são cerca de 40 milhões de pessoas, com 48% desses jovens já inseridos no mercado de trabalho e exercendo influência significativa sobre a sociedade e a economia. São indivíduos que cresceram na era da internet, das redes sociais e do consumo digital. Como consequência, possuem visões e aspirações de trabalho e carreira muito diferentes das gerações anteriores. 

Pesquisas e entrevistas realizadas pelas consultorias McKinsey & Company e Deloitte destacam alguns fatores primordiais que moldam as escolhas de carreira dos jovens da Geração Z:

  1. Busca por Propósito e Impacto Social: Enquanto gerações anteriores priorizavam estabilidade e crescimento econômico, a Geração Z busca uma profissão com propósito. Esses jovens valorizam trabalhar em empresas que se alinhem aos seus valores pessoais, especialmente em temas como sustentabilidade e impacto social.
  2. Equilíbrio entre Vida Profissional e Pessoal: A Geração Z dá grande prioridade ao equilíbrio entre trabalho e vida pessoal. Eles esperam flexibilidade, seja em horários de trabalho ajustáveis ou na possibilidade de trabalhar remotamente. O trabalho deixou de ser o principal elemento definidor de suas vidas e passou a ser apenas uma parte de um conjunto mais amplo de prioridades.
  3. Preocupações Econômicas e Financeiras: A insegurança financeira influencia fortemente as decisões de carreira da Geração Z. Crescendo em meio a crises econômicas globais, como a crise de 2008 e a pandemia de 2020, essa geração desenvolveu uma visão mais cautelosa sobre segurança no emprego e oportunidades. Muitos vivem de salário em salário e, além de buscarem estabilidade, também procuram fontes de renda adicional, como trabalhos paralelos ou iniciativas empreendedoras.
  4. Saúde Mental e Prevenção de Burnout: A Geração Z enfrenta elevados níveis de estresse e ansiedade, em parte devido às preocupações financeiras e ao impacto da pandemia. Esses jovens priorizam ambientes de trabalho que ofereçam suporte à saúde mental, evitando locais que possam contribuir para o burnout. Empresas que promovem bem-estar e oferecem um ambiente de trabalho saudável têm uma vantagem competitiva com esse público.

Isabela Moraes, College Counselor do Positivo International School, em Curitiba (PR), auxilia estudantes na escolha de carreiras e universidades. Em contato direto com esses jovens, ela explica que a necessidade de alinhar o trabalho com seus valores pessoais está relacionada ao fato de que esses jovens estão mais conscientes de seus direitos e deveres. “Respeito e segurança no ambiente de trabalho são, sem dúvida, questões essenciais no processo de escolha e permanência em um emprego”, afirma. 

Segundo a especialista, a busca por universidades e cursos que ofereçam estágios e rápida inserção no mercado de trabalho é, geralmente, uma das principais preocupações da Geração Z, além da flexibilidade no ambiente de trabalho. “Questões como mobilidade e dinamismo são fatores que claramente diferenciam essa geração da anterior. A possibilidade de escolher um trabalho, ou até mesmo uma universidade, que permita trabalhar de qualquer lugar ou mudar de país, deixou de ser apenas um bônus e se tornou um dos principais critérios de escolha. Vejo nessa geração os reflexos dos dois anos de isolamento durante a pandemia, com uma necessidade maior de ver, experimentar e vivenciar o mundo de novas maneiras”, explica.

Considerada uma geração desafiadora por empregadores e recrutadores, os jovens dessa faixa etária são frequentemente vistos como pouco esforçados ou resilientes. Uma pesquisa da Resume Genius revelou que 45% dos gerentes de contratação consideram a Geração Z o grupo mais difícil de trabalhar. Isabela destaca que essa geração está mais acostumada a expressar suas insatisfações, o que os torna colaboradores mais assertivos. “Eles têm plena consciência de seus direitos e deveres. Esse posicionamento, diante de um mercado habituado a funcionários que aceitam demandas sem questionar, faz com que sejam vistos como profissionais mais desafiadores”, ressalta.

Por outro lado, a especialista destaca que, quando há entendimento entre as partes, esses jovens podem transformar o ambiente de trabalho para melhor. “É essencial que ambos os lados reconheçam sua parcela de responsabilidade para que essa relação dê certo. Às empresas, cabe ser flexíveis e enxergar o encontro de gerações como uma oportunidade. Quanto aos jovens, eles não devem apenas esperar que essa adaptação ocorra, mas, sim, contribuir ativamente com o que têm a oferecer ao mercado”, sugere.

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